« - Bem sei que podem perseguir-me, arrancar-me os olhos, torcer-me as orelhas, transformar-me em lagarto, em morcego, em aranha, em lacrau! Mas juro que não hei-de ser infeliz PORQUE NÃO QUERO.» [Aventuras de João Sem Medo - Panfleto Mágico em forma de Romance, José Gomes Ferreira] «Fica a saber claramente:não trocaria a minha desgraça pela tua servidão.» [Fala de Prometeu, em Prometeu Agrilhoado, Ésquilo]
quarta-feira, 3 de março de 2010
Havia uma semana que se abrira concurso para uma cadeira de substituto na Escola, e preparava-se para ele. (...) Mas a certeza da sua superioridade não o tranquilizava – porque enfim em Portugal, não é verdade?, nestas questões a ciência, o estudo, o talento são uma história, o principal são os padrinhos! Ele não os tinha – e o seu concorrente, um sensaborão, era sobrinho de um director-geral, tinha parentes na câmara, era um colosso!»
O Primo Bazílio de Eça de Queiroz, 23ª Ed., Edição «Livros do Brasil», Lisboa, pp. 193, 194.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
- Porquê os judeus? – Perguntei a Salvador.
E ele respondeu-me:
- E porque não?
E explicou-me que toda a vida tinham ouvido os pregadores que os judeus eram os inimigos da cristandade e acumulavam os bens que a eles lhes eram negados. Perguntei-lhe se não era porém verdade que os bens eram acumulados pelos senhores e pelos bispos, através das décimas, e que, portanto, os pastorelli não combatiam os seus verdadeiros inimigos. Respondeu-me que, quando os verdadeiros inimigos são demasiado fortes, é preciso então escolher inimigos mais fracos. Reflecti que, por esse motivo, os simples são assim chamados. Só os poderosos sabem sempre com grande clareza quem são os seus verdadeiros inimigos. [...]
Perguntei quem tinha metido na cabeça à multidão que era preciso atacar os judeus. Salvador não se recordava. Creio que, quando se reúnem tais multidões seguindo uma promessa e pedindo de imediato alguma coisa, nunca se sabe quem fala no meio deles. (...)
O Nome da Rosa, H. Eco
segunda-feira, 20 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
(…) – Assim tão mau é ser poeta? – replicou Preciosa.
- Mau não é – disse o pajem - , mas ser poeta somente não o considero muito bom. Deve usar-se a poesia como jóia preciosa que o dono não traz todos os dias, nem mostra a toda a gente, nem a cada passo, mas só quando convém e há razão para mostrá-la. (…)
Miguel de Cervantes – A Ciganita